Alugou 170 cadeiras para um óbito, mas quem ficou de luto foi o proprietário
Um prestador de serviços de aluguer de cadeiras denuncia o desaparecimento de 170 cadeiras depois de estas terem sido alugadas para um óbito no bairro Calemba 2, na Comuna do Nova Vida, município do Kilamba Kiaxi, em Luanda. O caso foi participado às autoridades policiais, mas, segundo o denunciante, o material continua desaparecido.
Manuel Pascoal, que trabalha com o aluguer de cadeiras para eventos, afirma ter sofrido um prejuízo significativo depois de três pessoas se terem deslocado à sua residência para alugar cadeiras destinadas a um óbito nas imediações da Praça Nova, no bairro Calemba 2. Na altura, Manuel Pascoal encontrava-se ausente, tendo um familiar tratado do atendimento.
Segundo o denunciante, o seu negócio funciona com um prazo de aluguer de 24 horas e, por questões de segurança, é habitual solicitar documentos de identificação aos clientes. No caso em questão, afirma que um dos homens deixou o Bilhete de Identidade e efectuou o pagamento pelo aluguer, após o que as 170 cadeiras foram entregues para serem levadas ao local indicado.
O problema surgiu depois de ultrapassadas as 24 horas acordadas. Manuel Pascoal afirma que as cadeiras não foram devolvidas e que, após tentar localizar o espaço onde teria decorrido o óbito, deslocou-se ao local indicado, onde constatou que o equipamento já não se encontrava lá.
Perante o desaparecimento do material, o proprietário afirma ter recorrido à Polícia Nacional para apresentar uma participação. Segundo a documentação apresentada à nossa redacção, a denúncia foi registada na Secção Municipal de Investigação de Ilícitos Penais do Comando Municipal do Kilamba Kiaxi, Núcleo de Investigação de Ilícitos Penais da Esquadra da Sapú, sob o Registo n.º 216/NIIP.ESQ.SAPÚ/CPLPNA26.
Entre os dados apresentados pelo denunciante consta o nome de Domingos Francisco Saldanha, identificado através do Bilhete de Identidade n.º 002019672LA039, natural da Maianga, província de Luanda, e residente no bairro Margoso. O documento apresentado indica ainda como pais Isaías Cardoso Saldanha e Maria da Conceição Francisco Saldanha.
Manuel Pascoal estima o prejuízo em cerca de 850 mil kwanzas, calculando aproximadamente 5 mil kwanzas por cadeira. O denunciante considera, entretanto, que o custo de reposição poderá ser superior, uma vez que, segundo a sua estimativa, uma cadeira nova poderá actualmente custar entre 7 mil e 8 mil kwanzas. Caso se considere este último intervalo, a reposição das 170 cadeiras poderia representar um custo entre 1,19 milhão e 1,36 milhão de kwanzas.
O proprietário afirma que a denúncia foi apresentada na semana passada, e que até ao momento não recuperou as cadeiras nem recebeu informações conclusivas sobre o seu paradeiro. Diz ainda ter recebido uma ficha com os dados da participação e o contacto de um agente que o atendeu, tendo sido orientado a procurar posteriormente informações adicionais sobre o processo.
O caso permanece sob apuramento e as informações relativas ao desaparecimento das cadeiras correspondem à versão apresentada por Manuel Pascoal. Caberá às autoridades competentes esclarecer as circunstâncias em que o material desapareceu e determinar eventuais responsabilidades.
O Luanda Sul Line está aberto ao contraditório e disponibiliza-se a publicar os esclarecimentos de Domingos Francisco Saldanha e de qualquer outra parte directamente envolvida no caso, caso pretendam apresentar a sua versão dos factos.
Fonte: Luanda Sul Line
